O vitiligo é uma doença de pele não contagiosa que se caracteriza por uma despigmentação causada pela destruição de melanócitos, células produtoras de melanina, substância responsável pela cor da pele.
Afeta cerca de 0,1 a 2% da população infantil e adulta, sem preferência por sexo, cor, etnia ou condições socioeconômicas.
Ocorre em qualquer idade, sendo mais frequente entre os 20 e 40 anos.
A causa ainda é desconhecida, mas existem teorias que têm sido propostas para explicar a destruição dos melanócitos. Estas incluem: mecanismos genéticos, autoimunes, neurais, bioquímicos, estresse oxidativo, autodestruição e infecção viral. Embora as teorias autoimune e de estresse oxidativo sejam mais bem apoiadas por dados de pesquisa, nenhuma das teorias propostas é suficiente para explicar os diversos fenótipos, ou seja, apresentações clínicas do vitiligo. A chamada "teoria da convergência", mais aceita atualmente, sugere que múltiplos mecanismos podem contribuir para o desaparecimento dos melanócitos na pele.
Surgimento de máculas ou manchas despigmentadas assintomáticas, de cor branca leitosa ou giz, que não apresentam sinais clínicos de inflamação. As lesões podem aparecer em qualquer idade e em qualquer parte do corpo, com preferência pela face e áreas ao redor dos orifícios (pálpebras, nariz, lábios), região genital, mãos e pés. Elas variam em tamanho de alguns milímetros a muitos centímetros e geralmente têm bordas convexas bem demarcadas da pele normal ao redor.
Os pelos despigmentados (pelos brancos) estão frequentemente presentes na pele com vitiligo e a poliose, diminuição ou ausência de melanina ou cor nos cabelos (cabelos brancos precocemente), sobrancelhas e/ou cílios, também pode ser uma manifestação de vitiligo localizado.
Nas pessoas predispostas ao vitiligo:
Ele pode ser emocional? Não, mas estudos mostram que o estresse emocional é um fator que pode desencadear vitiligo em pessoas predispostas e/ou piorar as lesões de vitiligo já existentes.Vitiligo coça? Não, mas pode ter alguma alteração de sensibilidade na pele afetada.
O curso clínico do vitiligo é imprevisível e inconstante. As lesões podem permanecer estáveis ??ou progredir lentamente por anos. Na maioria dos casos, as lesões de vitiligo podem progredir em tamanho e distribuição ao longo da vida, tanto pela expansão de lesões antigas quanto pelo aparecimento de novas lesões em outros locais. Isso é mais comum em pacientes com história familiar de vitiligo não segmentar, maior tempo de duração da doença, pacientes que apresentam piora ou surgimento de novas manchas após traumas (o chamado fenômeno de Koebner) e envolvimento da mucosa.
Os surtos (períodos de instabilidade, com surgimento de novas lesões, principalmente em períodos de forte estresse emocional), são comuns e podem ser precedidos e sucedidos por períodos de estabilidade. O vitiligo estável é mais comum em crianças e adolescentes, independentemente da etnia e tipo de pele. O vitiligo pode ser considerado estável quando não existe evidência de alteração nas manchas antigas e nem surgimento de manchas novas em um período de 12 meses. Normalmente, é preciso acompanhamento médico fotográfico para definir a estabilidade das lesões.
Não, mas existem diversos tipos de tratamentos e medicamentos que podem ser utilizados para controlar a progressão da doença e repigmentar a pele.
O tratamento tem o objetivo de controlar o avanço da doença, estimular os melanócitos, trazer de volta e manter a cor natural da pele, reduzindo o impacto psicossocial e oferecendo maior qualidade de vida. Ele dependerá do tipo de vitiligo que a pessoa apresenta. O vitiligo localizado pode ser tratado com medicamentos tópicos à base de corticoides e inibidores de calcineurina. Para casos mais extensos, devemos associar tratamentos sistêmicos, fototerapia, laser. Há também antioxidantes orais ou tópicos, com o objetivo de estabilizar e evitar o surgimento de novas lesões.
Em pacientes com vitiligo bastante extenso, afetando mais de 80% da superfície do corpo e que não respondem aos tratamentos de repigmentação ou que não desejam tratar, a despigmentação das áreas de pele sã que ainda restam pode ser uma opção. Indica-se o uso de medicações específicas que levam ao vitiligo universal, caracterizado pela completa despigmentação da pele.
Embora não seja uma doença letal, o vitiligo é uma doença que pode causar um grave impacto na qualidade de vida dos pacientes, especialmente crianças, adolescentes e adultos jovens. Pode haver bullying, dificuldade de relacionamentos pessoais, sexuais e profissionais. Sentimentos de vergonha, ansiedade, tristeza, insegurança, desamparo, depressão e ideação suicida, muitas vezes são percebidos nas pessoas com essa condição. Assim, uma abordagem multidisciplinar é essencial no tratamento e acompanhamento dos pacientes, principalmente no que tange à saúde mental. Psicoterapias, participação de grupos e de comunidades em redes sociais relacionadas ao vitiligo podem ser excelentes aliados tanto ao tratamento quanto à aceitação e à compreensão dessa doença, de forma que, ao compartilhar vivências e compreender melhor a relação pessoa-doença, a adesão ao tratamento, a qualidade de vida e a autoestima serão beneficiadas. Aliado a todo esse contexto, o apoio por parte da família torna o caminho mais leve e mais seguro às pessoas que sofrem com o vitiligo.
Uma das melhores formas de combater o preconceito contra o vitiligo, ainda bastante presente atualmente, é informar a população sobre a não contagiosidade da doença e do sofrimento que ela pode causar no paciente e na família.
Com a colaboração de Dra. Livia Ribeiro
Instagram: @/liviacarlaribeiro