Rosácea é uma doença inflamatória da pele, relativamente frequente, que representa uma das maiores causas de procura ao dermatologista. Afeta, especialmente, pessoas de pele mais clara (fototipos I e II) e pode ter relação genética em cerca de 20% dos casos. É mais comum em mulheres adultas entre 30 e 50 anos, embora possa acontecer também em crianças e adolescentes e persistir na fase adulta. É uma doença que não é contagiosa. Ou seja, não se transmite ou se adquire por contato direto.
O que causa Rosácea?
É considerada uma doença multifatorial, ou seja, que ocorre por uma junção de fatores. Embora o principal mecanismo patogênico ainda não esteja bem estabelecido, acredita-se que a desregulação neuro-vascular e uma alteração no sistema imune inato estejam envolvidos. A exposição à radiação UV também parece estar relacionada ao surgimento e agravamento da rosácea, bem como o aumento da produção de radicais livres.
Alguns fatores são tidos ainda como gatilhos para a deflagração da doença: comida apimentada, álcool e calor. Tais elementos parecem levar a vasodilatação, tornando-os mais calibrosos e visíveis, além do extravasamento de proteínas plasmáticas e recrutamento de células inflamatórias. Este mecanismo contribui para o flushing (sensação de calor súbito nas áreas afetadas) e eritema (vermelhidão) característicos do quadro cutâneo.
Sentimentos como estresse, raiva ou vergonha também exacerbam a doença, já que promovem o aumento do fluxo sanguíneo para a superfície da pele.
As classificações da rosácea
É classificada em 4 subtipos, embora seja esperada uma sobreposição:
I: Rosácea vascular: Flushing (rubor) episódico e eritema centro facial persistente com ou sem telangiectasias;
II: Rosácea pápulo-pustulosa: Eritema centro facial persistente com pápulas (bolinhas vermelhas), pústulas (bolinhas com ponto amarelado central) ou ambas;
III: Rosácea fimatosa: Espessamento cutâneo (aspecto de casca de laranja), que pode exibir nódulos. Pode aparecer no nariz (rinofima), região frontal, queixo, pálpebras e pavilhões auriculares;
IV: Rosácea ocular: Sensação de corpo estranho nos olhos, queimação, secura, prurido, sensibilidade à luz, edema (inchaço) e hordéolos (terçol) recorrentes. Pode ou não ser acompanhada de sintomas na pele.
Ocorre ainda a variante denominada rosácea granulomatosa, caracterizada por proeminências (pápulas) acastanhadas, amareladas ou eritematosas e nódulos de tamanho uniforme.
É importante lembrar que não há necessariamente uma evolução progressiva entre esses subtipos.
Os sinais cardeais da rosácea são: eritema (vermelhidão), telangiectasias (vasos sanguíneos visíveis superficiais), pápulas, pústulas e edema (inchaço).
O eritema pode ser transitório ou permanente
É uma doença polimórfica que afeta tipicamente o centro da face, poupando a área ao redor dos olhos (periocular).
Pode eventualmente acometer couro cabeludo, pavilhão auricular, tórax e membros superiores (rosácea disseminada).
É comum que os pacientes se queixem de sensibilidade na pele, associada a sensação de ardência no rosto, principalmente após o uso de produtos de skincare.
O diagnóstico é clínico, feito através de consulta médica. Não há testes específicos. Por isso é de extrema importância procurar o dermatologista para uma avaliação correta da pele.
Através da observação dos sinais e sintomas do paciente e do exame físico adequado, o médico será capaz de fazer o diagnóstico.
No entanto, podem ser solicitados exames adicionais para descartar outras possíveis doenças como lúpus, micoses, etc.
A biópsia de pele raramente é necessária.
Em geral, não há repercussão sistêmica (em outros órgãos) e a principal queixa é estética e funcional, principalmente nos casos que evoluem com fima (pele com aspecto de casca de laranja).
As complicações oftalmológicas são mais comuns, apesar da rosácea ocular ser rara. Até 50% dos pacientes podem apresentar ceratite, conjuntivite e blefarite.
O tratamento da rosácea é feito de acordo com a gravidade das lesões e dos sintomas, sendo recomendado em todos os casos evitar os fatores desencadeantes como exposição solar prolongada, consumo de alimentos muito quentes, frio excessivo ou ingestão de bebidas alcoólicas.
Indica-se o uso de filtro solar, sabonetes neutros e cremes hidratantes no intuito de proteger e manter a integridade da pele.
Por ser extremamente sensível, a pele com rosácea necessita de cuidados especiais.
Para tratamento, pode-se utilizar medicações, associadas a cuidados diários e procedimentos em consultório. Entre eles, destacam-se a luz intensa pulsada, que age melhorando o quadro inflamatório, amenizando a vermelhidão.
Poderá ainda incluir, entre outras opções: fármacos de aplicação tópica (por exemplo, em creme, pomada ou gel), como o metronidazol, o ácido azelaico ou ivermectina.
Nos tipos de rosácea pápula pustulosa, ocular e fimatosa, o uso de medicamentos por via oral como antibióticos pode ser necessário. São medicamentos utilizados até que o se obtenha o controle da doença, sendo sempre associados a tratamentos tópicos.
No caso de haver o desenvolvimento de fima, podem ser indicados tratamentos mais ablativos ou cirúrgicos como o laser fracionado, cauterização química ou cirúrgica e dermoabrasão.
Embora não exista nenhuma cura definitiva para a rosácea, existem vários tratamentos disponíveis que permitem melhorar de forma significativa os seus sinais e sintomas. O mais importante é procurar o médico dermatologista o quanto antes para um diagnóstico preciso e um início de tratamento precoce.
Ainda tem dúvidas? Entre em contato para avaliarmos o seu caso.
Com a colaboração de Dra Giovanna Kobal