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Há um consenso entre os dermatologistas e em uma parcela cada vez maior da população que a fotoproteção é necessária para minimizar os riscos da exposição solar, que podem variar desde queimaduras solares e envelhecimento precoce, até o desenvolvimento dos cânceres de pele. 


É importante reforçar, em primeiro lugar, que a fotoproteção abrange os seguintes pontos:

1)   Procurar áreas cobertas ou com sombra quando estivermos ao ar livre;

2)   Ter cuidado redobrado ou evitar a exposição solar nos horários de pico da radiação (entre 10 e 14h);

3)   Cobrir as partes expostas com roupas de mangas compridas, chapéu de abas largas e óculos de sol;

4)   Aplicar protetores solares de amplo espectro e resistência a água, com fator de proteção solar (FPS) igual ou superior a 30, que deverá ser reaplicado frequentemente (uma ou mais vezes a cada duas horas), caso haja permanência de exposição no período.


Luz solar e os tipos de radiação


A luz solar inclui comprimentos de onda nos raios UVB e UVA (UVB, 290-320 nm; UVA2, 320-340 nm; e UVA1, 340-400 nm) e luz visível (LV: 400-700 nm).


Como os efeitos nocivos da radiação UVB (como a queimadura) foram inicialmente reconhecidos, os protetores solares foram desenvolvidos para evitar que os raios UVB penetrem na pele. O FPS do filtro solar, que mede o ?nível de proteção contra queimadura solar? avalia os danos causados majoritariamente pela radiação UVB e uma parte da radiação UVA (UVA2), mas não fornece informações que comprovem a capacidade de proteção contra os outros comprimentos de onda da luz solar.


Após a comprovação de danos estruturais cutâneos devido à exposição aos raios UVA, como o fotoenvelhecimento, o termo ?protetor solar de amplo espectro? passou a englobar a proteção contra o UVA. No entanto, até a presente data, não existem medidas de capacidade protetora padronizadas nem sistema de classificação acordado internacionalmente para avaliar proteção contra UVA ou luz visível nos fotoprotetores.



Efeitos da luz sobre a pele


Há evidências mais recentes sobre a importância da luz visível. Aproximadamente 50% da luz solar está no espectro da luz visível (comprimentos de onda de 400-700 nm), e é cada vez mais compreendido que esses comprimentos de onda mais longos têm efeitos biológicos sobre a pele. Os efeitos da luz visível na pele são: hiperpigmentação (escurecimento) e eritema (vermelhidão), sendo o escurecimento mais duradouro e intenso do que o induzido pelo UVA1. A relevância clínica da luz visível foi observada em estudo de mulheres com melasma que mostraram que os protetores solares tiveram eficácia variável na proteção contra a recaída devido a diferenças em sua cobertura de comprimentos de onda. Além disso, investigação com o uso de lâmpadas do tipo LED mostraram que a faixa mais inferior de luz visível (luz azul ou violeta) era a principal responsável por induzir a hiperpigmentação nas peles mais morenas e negra, os chamados tecnicamente de fototipos mais elevados (IV a VI) na escala de Fitzpatrick , que classifica os tons de pele em 6 subtipos, de acordo com a capacidade de bronzeamento.


Há diferença dependendo do tipo de pele?

Assim, embora todos os tipos de pele devam ser protegidos contra a radiação UV, a luz visível também é uma preocupação, especialmente para indivíduos com tons de pele mais escuros. Também parece haver uma sinergia entre UV e luz visível, onde a luz visível parece acentuar os efeitos do UVA.


Até o momento, a fotoproteção contra a luz visível depende principalmente de evitar a luz solar e no uso de roupas de proteção, chapéus e óculos.


Os filtros solares com cor (tons de ?base?) tem uma proteção muito mais eficaz contra a radiação UVA e a luz visível. Além disso, novos ativos com capacidade antioxidante e de inibição de radicais livres estão sendo incorporados nas fórmulas atuais dos filtros solares, pois estudos mostram a capacidade desses novos ingredientes de reduzir o dano causado pela luz visível.


Os antioxidantes também podem ser utilizados por via oral para atuarem como um reforço na fotoproteção de pacientes que precisam de proteção contra os comprimentos de onda longo (UVA e luz visível).


Em resumo, os pacientes com tons de pele mais escuros (fototipos mais altos) são mais propensos a distúrbios de pigmentação que podem afetar a saúde da pele e a qualidade de vida, como por exemplo melasma, hiperpigmentação pós inflamatória (pigmentação acentuada da pele após inflamação local como acne, picadas de inseto ou procedimentos estéticos e cirúrgicos) e até mesmo o fotoenvelhecimento, e, por isso, devem realizar a fotoproteção de amplo espectro associada a proteção contra a luz visível. Nesse sentido, existe uma barreira a ser vencida, que é a crença popular de que a pele morena ou negra não precisa de proteção solar. 


 

Referências complementares:

Rigel DS, Taylor SC, Lim HW, Alexis AF, Armstrong AW, Chiesa Fuxench ZC, Draelos ZD, Hamzavi IH. Photoprotection for skin of all color: Consensus and clinical guidance from an expert panel. J Am Acad Dermatol. 2022 Mar;86(3S):S1-S8. doi: 10.1016/j.jaad.2021.12.019. Epub 2021 Dec 20. PMID: 34942296.