O melasma é uma doença de pele crônica, bastante comum, causada por uma disfunção no processo de pigmentação da pele. Se caracteriza por manchas castanho-claras a castanho-escuras, irregulares, bem delimitadas e simétricas, nas áreas expostas ao sol. Sua principal localização é na face, o que frequentemente causa grande prejuízo na qualidade de vida dos portadores. Pode acometer ambos os sexos, mas é mais comum em mulheres de idade fértil, tendendo a desaparecer após a menopausa. Em geral, acomete indivíduos de tons de pele intermediários, sendo rara nos extremos.
Classificações do Melasma
O melasma pode ser classificado em epidérmico (70%), dérmico (10%) e misto (20%), dependendo da localização da melanina na pele. Para ajudar nessa identificação, utiliza-se a Lâmpada de Wood, que, no caso do melasma epidérmico, apresenta cor mais acentuada sob a luz; no dérmico, atenuação da cor ou não é visualizada nenhuma alteração; e, no misto, evidencia-se áreas com acentuação e outras com atenuação da cor.
Os principais fatores associados ao desenvolvimento do melasma são: radiação ultravioleta, exposição aos hormônios sexuais femininos e susceptibilidade genética (cerca de 50% dos pacientes com melasma possuem história familiar da doença). A radiação ultravioleta é o fator desencadeante mais importante, tendo influência as radiações UVB, UVA e até mesmo a luz visível. Através dela, os melanócitos, que são as células responsáveis por produzir o pigmento da pele (melanina), são estimulados e aumentam sua produção, levando ao aparecimento das manchas escuras na pele. Esse estímulo da radiação ultravioleta ocorre tanto diretamente nos melanócitos, quanto por outras células, como os queratinócitos e os fibroblastos, que produzem fatores químicos que estimulam a via da produção de melanina, que é a melanogênese. Por isso, a medida mais importante no tratamento do melasma é a proteção solar, usando sempre um fotoprotetor de amplo espectro UVA e UVB, bloqueio físico e, de preferência, com cor.
Devido à exposição aos hormônios sexuais femininos, é uma dermatose bastante comum nas gestantes, sendo uma queixa frequente nessas pacientes. O quadro tende a melhorar após o parto, mas deve-se manter os cuidados pois há risco de recorrência em gestações futuras. Também há associação com o uso de anticoncepcionais orais sendo que, nesses casos, não se observa regressão espontânea do quadro após suspensão da medicação. Outros fatores como uso de cosméticos e estresse também podem piorar o melasma, pelo dano à pele e pela formação de fatores que estimularão a produção de melanina.
Os agentes despigmentantes mais utilizados são os que agem inibindo a enzima tirosinase, que é uma enzima essencial na síntese da melanina. Deles, o composto mais conhecido e mais eficaz é a hidroquinona, que, assim como os demais, deve ser usada apenas sob orientação médica pois é extremamente irritativa e pode causar piora das manchas. Seu uso deve ser feito apenas por curtos períodos e em pacientes selecionados. Além dela, outros compostos que inibem a tirosinase bastante utilizados são o ácido kójico, ácido fítico, belides, alfa-arbutin e o ácido azeláico.
Atualmente, novas substâncias que agem por outras vias da formação da melanina também têm sido utilizadas, como o ácido tranexâmico, que pode ser utilizado tanto em formulação tópica quanto oral, e o extrato de Polypodium leucotomos, que age como um antioxidante e diminui a recidiva pós tratamento.
Na maioria dos tratamentos, são utilizadas combinações dessas ativos para a obtenção de resultados mais rápidos e duradouros. Nos casos em que as manipulações tópicas não são suficientes, pode ser necessária a realização de procedimentos abrasivos, como peelings superficiais (principalmente de ácido glicólico, ácido salicílico e ácido tricloroacético), microagulhamento e dermoabrasão. Por serem procedimentos que causam dano à pele, devem ser realizados com cuidado pois apresentam risco de hiperpigmentação pós-inflamatória.
Em relação às tecnologias, as mais utilizadas para o tratamento do melasma são a LIP (Luz Intensa Pulsada) e os Lasers (Nd:YAG, Erbium:YAG, Pulsed Dye Laser), podendo ser necessária mais de uma sessão para obtenção dos resultados.
Apesar de não ser curável, a maioria dos pacientes com boa adesão ao tratamento apresentam excelentes resultados, com melhora do aspecto da pele e da autoestima.
Com a colaboração de Dra. Aline Busnardo
Referências complementares:
Kwon SH, Na JI, Choi JY, Park KC. Melasma: Updates and perspectives. Exp Dermatol. 2019 Jun;28(6):704-708. doi: 10.1111/exd.13844. Epub 2018 Dec 21. PMID: 30422338. Bolognia JL, Orlow SJ. Melanocyte biology. In: Bolognia JL, Jorizzo JL, Rapini RP. Dermatology. v. 1. New York: Mosby; 2003. Miot LDB, Miot HA, Silva MG, Marques MEA. Fisiopatologia do melasma. An Bras Dermatolog. 2009:84(6):623-35 Passeron T, Picardo M. Melasma, a photoaging disorder. Pigment Cell Melanoma Res. 2018 Jul;31(4):461-465. doi: 10.1111/pcmr.12684. Epub 2018 Jan 12. PMID: 29285880.