A acne é uma doença inflamatória da pele que ocorre quando as glândulas sebáceas e os folículos pilossebáceos inflamam provocando cravos, espinhas, cistos, caroços e até cicatrizes.
Normalmente, ocorre em adolescentes por conta das alterações hormonais, podendo surgir também no período da gravidez, estresse ou até mesmo por conta de uma alimentação rica em gordura. Hereditariedade, ou seja, casos de acne em familiares próximos, é um fator de risco.
Não existe apenas um tipo de acne e ela pode ser classificada de acordo com as suas características e grau de inflamação, o que faz com que cada paciente tenha um determinado tratamento, tudo de acordo com o diagnóstico do médico dermatologista ? que varia desde o tratamento tópico com cremes ao uso sistêmico de antibióticos, anti-inflamatórios e procedimentos cirúrgicos.
A acne pode ser classificada em graus de acordo com a sua apresentação clínica. São eles:
Muito comum e com seu início na puberdade, a acne comedoniana (comedão = cravo) é classificada como grau 1. Esse tipo não tem tanta inflamação ou pus associados e aparece normalmente no nariz, bochechas e testa, áreas onde há maior acúmulo de oleosidade pela maior presença de glândulas sebáceas, a chamada zona T. Seu tratamento é mais básico, à base de géis e cremes, além de sabonetes com ativos, como por exemplo ácido salicílico e enxofre.
Cientificamente chamada de pápulo-pustulosa, a acne grau 2 já contém pus e sua forma é avermelhada e endurecida o que pode ocasionar dor e incômodo locais, além das lesões serem mais visíveis.
As glândulas sebáceas são mais inflamadas e existe uma maior participação de proliferação de microrganismos na região ? destaque para a bactéria Cutibacterium acnes (anteriormente denominada Propionibacterium acnes). O recomendado para as lesões desse tipo é não as espremer!
Para o seu tratamento, o dermatologista pode indicar antibióticos (a exemplos de tetraciclina ou minociclina) e antimicrobianos em gel (peróxido de benzoíla, eritromicina ou clindamicina).
A acne de grau 3 ? nódulo-cística ? é a ?espinha interna? que se apresenta como nódulos sob a pele, podendo surgir, principalmente, no rosto, costas (dorso) e região peitoral (tórax), sendo bem doloridas.
O dermatologista vai analisar cada caso, mas nesse estágio já pode ser recomendado o uso de isotretinoína, vendida sob a marca Roacutan, entre outras medicações indicadas para os casos mais graves de acne.
Acne conglobata é a de grau 4, e também pode ser tratada com o medicamento Roacutan. É caracterizada por um conjunto de lesões nodulares próximas, aglomeradas, e que contém pus, podendo ocasionar deformações na pele por conta de formação de abscessos e fístulas.
Tipo raro, a acne de grau 5, chamada de fulminans ou fulminante, surge com a aparência da acne grau 4, mas com outros sintomas sistêmicos como febre, mal-estar e dores nas articulações. É mais comum em homens e em pessoas que fazem uso de hormônios esteroides anabolizantes - sendo crescente o surgimento em mulheres que também fazem seu uso. Seu tratamento deve ser individualizado e avaliado com urgência pelo médico dermatologista.
É importante salientar que quanto mais grave a forma da acne, maior a chance de surgimento de cicatrizes. Portanto, é fundamental buscar tratamento desde as fases mais iniciais para a prevenção do surgimento de cicatrizes inestéticas.
Bebês também podem ter espinhas e cravos, e elas são denominadas de acne neonatal. Isso ocorre por conta da troca de hormônios com a mãe durante a gestação. Esses casos não precisam de tratamento, pois as bolinhas, que podem surgir no rosto, testa ou costas, desaparecem espontaneamente por volta dos três meses de idade, quando os hormônios maternos deixam de circular.
Há também a acne na mulher adulta, que é uma condição caracterizada pelo aparecimento do quadro acneico a partir dos 25 anos de idade.
Apesar de ser desconhecida por boa parte da população, a doença atinge milhares de mulheres em todo o Brasil. Existem fatores que podem aumentar o risco, tais como: obesidade, diabetes, Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), histórico de acne na adolescência, tabagismo, estresse, pele oleosa, exposição solar excessiva, síndromes metabólicas e predisposição genética.
A acne da mulher adulta se manifesta principalmente na região U do rosto ? mandíbula, queixo e pescoço. Outras características da doença são: pouca presença de cravos, vermelhidão e inchaço nas áreas afetadas pelas lesões e dor local.
Os sintomas tendem a piorar no período menstrual. Diversos tratamentos podem ser realizados, desde medicamentos que podem ser receitados para controlar a oleosidade e evitar o agravamento das inflamações, até tratamentos hormonais e estéticos para a melhora da autoestima da mulher.
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Por fim, há a acne medicamentosa, que é ocasionada por conta do uso de, por exemplo, suplementação prolongada, tratamentos hormonais, anticoncepcionais, uso excessivo de vitamina B e cortisona. Caso haja o surgimento desse tipo de acne no corpo, a orientação é a troca da medicação, a suspensão do uso ou alteração da dosagem.
Para evitar o aparecimento da acne, atente-se a alguns cuidados: evite o excesso de laticínios e carboidratos; priorize uma alimentação natural, balanceada e nutritiva; não se exponha excessivamente ao sol; não fume; e nunca esprema as espinhas.
Para o tratamento das temidas cicatrizes, existem diversos procedimentos bastante eficazes que podem ser feitos de forma associada, como peelings químicos, microagulhamentos, bioestimuladores de colágeno e preenchedores injetáveis, lasers fracionados e até mesmo pequenos procedimentos cirúrgicos locais.
Todos eles têm como objetivo o clareamento de manchas que podem surgir após o processo inflamatório, trazendo maior uniformidade à pele e diminuindo a irregularidade causada pelas cicatrizes.
Lembre-se: a automedicação não é recomendada. Cada caso tem o seu tipo de cuidado e quem vai determiná-lo será sempre um especialista. Portanto, procure um dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia para avaliação e tratamento.